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Glaucoma: o inimigo silencioso da visão

Glaucoma Dr. Thalles Wilson 6 min de leitura

O glaucoma é responsável por cerca de 15% dos casos de cegueira irreversível no mundo. No Brasil, a Sociedade Brasileira de Glaucoma (SBG) estima que mais de 1 milhão de pessoas tenham a doença sem saber — porque ela avança sem dor e sem aviso.

O que é o glaucoma

O glaucoma é um conjunto de doenças que lesionam progressivamente o nervo óptico — a estrutura que transmite as imagens captadas pela retina ao cérebro. Na maioria dos casos, essa lesão está associada ao aumento da pressão intraocular (PIO), que comprime e danifica as fibras nervosas. Uma vez perdidas, essas fibras não se regeneram: a perda visual causada pelo glaucoma é irreversível.

O nervo óptico contém cerca de 1,2 milhão de fibras. A doença costuma destruí-las lentamente, começando pelas que respondem pela visão periférica. Por isso o paciente raramente percebe a perda — o cérebro compensa, e só quando a doença já está avançada é que o campo visual central começa a ser afetado.

Por que ele é silencioso

O tipo mais comum — o glaucoma de ângulo aberto, que representa cerca de 70% dos casos — não causa dor, vermelhidão, nem qualquer sintoma perceptível nas fases iniciais. A visão central permanece nítida por muito tempo, enquanto as fibras periféricas são destruídas silenciosamente. Quando o paciente finalmente nota algo errado, pode ter perdido mais da metade do campo visual.

Existe também o glaucoma de ângulo fechado, menos comum e mais dramático: provoca dor ocular intensa, visão turva súbita, halos coloridos ao redor de luzes e até náuseas. Esse tipo requer atenção urgente.

Fatores de risco

Algumas pessoas têm maior probabilidade de desenvolver glaucoma. Os principais fatores de risco, segundo a AAO e a SBG, são:

  • Idade acima de 40 anos;
  • Histórico familiar de glaucoma (risco até 9 vezes maior em parentes de primeiro grau);
  • Pressão intraocular elevada;
  • Córnea com espessura central reduzida;
  • Miopia alta;
  • Diabetes e hipertensão arterial;
  • Uso prolongado de corticosteroides (colírios, comprimidos ou sprays nasais).
Ter pressão ocular elevada não significa necessariamente ter glaucoma — e ter pressão normal não exclui a doença. O diagnóstico exige avaliação completa do nervo óptico.

Como é feito o diagnóstico

A avaliação do glaucoma inclui um conjunto de exames que nenhum teste isolado substitui:

  • Tonometria — medida da pressão intraocular;
  • Biomicroscopia do nervo óptico — avaliação estrutural da cabeça do nervo com lâmpada de fenda;
  • Campimetria computadorizada — mapeamento do campo visual para detectar perdas periféricas;
  • OCT do nervo óptico — tomografia de coerência óptica que quantifica a camada de fibras nervosas, identificando perdas precoces antes mesmo dos sintomas;
  • Paquimetria — medida da espessura corneana, que influencia a interpretação da tonometria.

Tratamento

Não existe cura para o glaucoma, mas a progressão pode ser controlada. O objetivo do tratamento é reduzir a pressão intraocular a um nível seguro para cada paciente — o chamado "pressão-alvo". As opções incluem:

  • Colírios hipotensores oculares — são o tratamento inicial mais comum. Precisam ser usados rigorosamente, todos os dias, mesmo sem sintomas. A adesão ao tratamento é um dos maiores desafios;
  • Laser (trabeculoplastia seletiva — SLT) — melhora o escoamento do humor aquoso pelo trabéculo, reduzindo a pressão. Pode ser usado como primeira linha ou complemento aos colírios;
  • Cirurgia (trabeculectomia ou dispositivos de drenagem) — indicada quando os colírios e o laser não são suficientes para controlar a progressão.
A melhor proteção é o rastreio precoce

A SBG e a AAO recomendam avaliação oftalmológica completa a partir dos 40 anos, mesmo sem sintomas. Em pessoas com fatores de risco, o rastreio deve começar antes. O glaucoma detectado cedo pode ser controlado de forma eficaz — o que o diagnóstico tardio não permite.

Dr. Thalles Wilson
Dr. Thalles Wilson
Médico oftalmologista · Cirurgia de catarata e plástica ocular · Membro da SBCPO e do CBO · CRM-RJ 5292750-3 · RQE 48375
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